
O juiz de Direito Márcio Cristofoli fez um forte pronunciamento ao condenar Édipo Jorge Alves de Quadros a oito anos de reclusão por tentativa de homicídio qualificado durante julgamento realizado nesta sexta-feira (29), no Tribunal do Júri da Comarca de São Miguel do Oeste.
Ao ler a sentença, o magistrado destacou que a violência não pode ser utilizada como forma de resolver conflitos e chamou atenção para os impactos do uso de drogas na sociedade.
“Não se resolvem problemas com machadinha na cabeça de quem quer que seja. Seja qual for a motivação, financeira, afetiva ou qualquer outra”, afirmou o juiz durante sua manifestação.
Cristofoli ressaltou que o papel do Estado é garantir a paz social e que casos como o julgado demonstram a necessidade de ampliar ações de prevenção e combate às drogas.
Segundo ele, o crime teve como pano de fundo o consumo de entorpecentes por parte do acusado e da vítima.
“Essa sessão de julgamento tem um plano de fundo evidente: a droga. Duas pessoas passaram dias consumindo álcool e drogas e o resultado foi uma vítima gravemente ferida e outra pessoa condenada a anos de prisão”, destacou.
O magistrado também fez um apelo para que famílias, escolas e autoridades reforcem o trabalho de orientação e prevenção, especialmente entre crianças e adolescentes.
“Precisamos avançar na prevenção, no tratamento e no acolhimento. Não podemos perder tantas pessoas para as drogas, que acabam gerando violência, sofrimento e destruição de vidas”, afirmou.
O crime
O caso ocorreu na noite de 10 de março de 2025, na comunidade Vila Nova II, no bairro São Luiz, em São Miguel do Oeste.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina, acusado e vítima passaram vários dias consumindo drogas e bebidas alcoólicas juntos. Na noite do crime, a mulher estava na varanda de uma residência quando foi surpreendida pelo homem, que chegou armado com uma machadinha e uma faca escondidas atrás do corpo.
Conforme a acusação, o réu passou a desferir golpes na cabeça, rosto e ombro da vítima enquanto cobrava uma suposta dívida e gritava: “Cadê o meu dinheiro?”.
A tentativa de homicídio só não foi consumada porque a mulher conseguiu reagir, fugiu para uma residência próxima e pediu ajuda. A intervenção de moradores interrompeu a agressão.
Após o ataque, o acusado fugiu do local e ainda teria ameaçado retornar para matar a vítima.
Condenação
O julgamento foi presidido pelo juiz Márcio Cristofoli e contou com a atuação da promotora de Justiça Silvana do Prado Brouwer. A defesa foi realizada pelos advogados Brendo Barroso, Marcela Chaise e Milena Arcari.
O Conselho de Sentença, formado por seis mulheres e um homem, reconheceu a autoria e a materialidade do crime, condenando o réu por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
Ao encerrar a sessão, o juiz reforçou a reflexão sobre o impacto das drogas na violência e defendeu o fortalecimento das políticas de prevenção e tratamento para evitar que novos casos semelhantes cheguem ao Tribunal do Júri.

